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Colônia São Pedro de Alcântara

Para reforçar a colonização e viabilizar a ocupação de vazios demográficos, em setembro de 1828, Monsenhor Pedro Machado de Miranda Malheiros, Imperial Inspetor da Colonização Estrangeira, teve autorização para receber no porto do Rio de Janeiro o navio alemão "Johanna Jakobs", que trazia da Europa, centenas de imigrantes para o Brasil.

Eles são convenientemente desembarcados e alojados na Armação de São Domingos, no Rio de Janeiro, até o final do mês subsequente. Eram 523 imigrantes originários, em sua maioria, da região de Eifel, localizada no sudoeste da Alemanha, ao norte do Rio Mosela (margem esquerda). Na capital do Império foram acrescentados ao grupo de imigrantes 93 homens liberados da chamada "Legião Alemã", o corpo da tropa de mercenários alemães no Exército Imperial Brasileiro que havia sido dissolvido naquela cidade, assim como 19 ex-integrantes do 27º Batalhão de Caçadores de Santa Catarina, igualmente dissolvido. Eram 146 famílias.Totaliza-se, assim, 635 pessoas. Do Rio de Janeiro foram despachados em 28 de outubro de 1828, pelo Monsenhor Malheiros, a bordo dos veleiros "Luiza" (um brigue) e "Marquês de Viana" (um bergantim), com destino a Desterro (hoje Florianópolis), sul do Brasil, onde aportaram, respectivamente, em 07 e 12 de novembro de 1828. O brigue "Luiza" transportou 276 pessoas e o bergantim "Marquês de Viana", 359 pessoas.


A herança colonial se mantém viva na área rural do município
Após a chegada ao Desterro, os que foram transportados pelo bergantim "Marquês de Viana" ficaram alojados nos quartéis da capital catarinense (campo de manejo), juntos aos Batalhões 8º, 18º, 27º e 4º de artilharia, enquanto os que vieram no brigue "Luiza", por haverem adoecido durante a viagem, foram "hospedados", involuntariamente, "livre de comunicação", e completamente isolados na Armação da Lagoinha -- antigo estabelecimento de pesca de baleias fundado na costa oriental da Ilha de Santa Catarina. Lá, também, estava aquartelado o 14º Batalhão do Exército. Neste estabelecimento os imigrantes foram amparados, no que tange à assistência médica, por conta do governo provincial. Completamente isolados e em plena ociosidade, requereram, naquela localidade, terras para cultivar e de cuja solicitação não obtiveram resposta.

Assim ficaram os imigrantes, tanto os transportados pelo "Luiza" quanto os pelo "Marquês de Viana", à espera, impacientes e em parte desanimados diante da morosidade dos poderes constituídos referente aos encaminhamentos elementares visando a sua transferência para a mata virgem.

Essa morosidade tinha motivo: as terras destinadas a recebê-los ainda não haviam sido demarcadas e, portanto, não havia condições humanas para "enfrentar" a floresta. Assim esgotaram-se, nos quartéis, os últimos 50 dias de 1828. Lá passaram o natal e o ano novo, rolando aqui, empurrados dali, sem nenhuma privacidade, dividindo espaço com os soldados da campanha - nenhum cronista registrou como viveram suas expectativa e esperanças, como reivindicaram seus direitos, como sobreviveram e como ocuparam-se diariamente durante aqueles meses mais longos de suas vidas. Irritados e impacientes diante da insegurança provocada pela peculiaridade da situação, homens habituados ao trabalho e agora ociosos, curtiam desgosto próprio e alheio nas dependências de alojamentos humilhantes.

Em função do aviso imperial datado de 25 de outubro, o Presidente da Província ordenou imediatamente ao Major de Milícias reformado, Silvestre José dos Passos, conceituado homem público e último morador às margens da projetada estrada para Lages, no vale do Maruí, para que fosse reconhecer o "lugar que mais comodidade oferecer", sua salubridade e fertilidade para a fundação de uma colônia.

Concluído o reconhecimento do sertão, em 7 de dezembro de 1828, Passos apresentou à administração provincial um relatório onde, apesar de admitir a falta de conhecimentos para bem incumbir-se da missão, apresenta uma "tosca configuração e descrição do projetado estabelecimento" de uma povoação. Albuquerque Mello, dois meses após, pela portaria de 9 de fevereiro de 1829, nomeou Passos diretor da "Colônia dos Alemães", com a incumbência de implantar "a abertura da projetada estrada" para Lages e de erguer os edifícios necessários para a recepção dos imigrantes. Eram conseqüências das imperiais determinações recebidas. Decorridos quase três meses após a chegada do bergantim "Marquês de Viana" à Ilha de Santa Catarina, em 11 de fevereiro de 1829 o primeiro grupo de imigrantes alemães foi transportado para a freguesia de São José, onde ficaram temporariamente alojados.

Em 17 de fevereiro, eles ainda lá continuavam retidos. Motivo: falta de ferramentas e de recursos financeiros para prosseguir o trabalho. Além disso, uma grande enchente inundara as várzeas do rio Maruí, tornando-a intransitável. Mas, em 1º de março, sabe-se, por carta subscrita pelo próprio diretor de colônia, que a leva inicial de imigrantes, aproximadamente 60 pessoas, já se encontrava alojada nas dependências de seu engenho localizado no sertão de São José, no vale do Maruí. Após terem feito derrubadas na mata, construíram uma palhoça com a extensão de 50 palmos de comprimento e implantaram parte da estrada ("até o ribeirão do Planxão"). Naquela data, estavam, de acordo com a carta do diretor, empenhados na edificação de mais uma palhoça e alguns barracões para a moradia provisória das famílias.

Quem consulta as poucas fontes históricas existentes sobre esses episódios, não foge à impressão de que o retardamento no envio dos colonos a seu destino prende-se ao fato de não haverem providenciado, a tempo, a abertura completa da estrada e a necessária demarcação das terras destinadas a mais de cem famílias. Um dos vigários de São José, e um dos poucos historiadores sobre os primórdios da colônia apresentam, em sua afamada memória histórica, a "certidão da nascimento" de São Pedro de Alcântara:

De acordo com o historiador Joaquim Gomes de Oliveira Paiva, no artigo "Colonização Alemã de São Pedro de Alcântara", publicado na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro em 1929: "o inspetor da colônia, apenas recebeu as ordens e instruções com que devia dar princípio à sua comissão, marchou a explorar o terreno para o futuro estabelecimento. Logo que chegou às terras devolutas, depois de tê-las examinado minuciosamente, escolheu o lugar que lhe pareceu mais azado para servir de logradouro público ou arraial, e aí demarcou um quadro, em cujo meio deixou uma pequena praça bordada de duas ruas, que denominou, uma de São Pedro de Alcântara e outra de Albuquerque. Em seguida fez levantar vinte palhoças, para nelas receber os colonos, até que estes fizessem casa dentro das datas que lhes deviam ser demarcadas."

No início da instalação da colônia, um novo surto de insatisfação geral invadiu os imigrantes: além de atraso no pagamento das diárias a que faziam jus, havia agora condições imprevistas e adversas de duro trabalho na mata: as terras, além de íngremes e de pouca fertilidade, mostravam-se, em grande parte, desfavoráveis às atividades rurais. Já em fevereiro/março de 1829, portanto, durante os trabalhos iniciais no local escolhido para o estabelecimento da colônia, principiaram a ocorrer as primeiras deserções: algumas famílias decidiram fixar residência em Desterro e em São José, outras foram instalar-se, a partir de 6 de maio de 1830, na região do Alto Biguaçu (Louro),lançando os alicerces da cidade de Antônio Carlos. Naquela ocasião, solicitaram, também, a concessão de terras mais adequadas às atividades rurais no patrimônio das Caldas do Cubatão (hoje Caldas da Imperatriz e Águas Mornas). Tal pedido, porém, foi indeferido, sob a justificativa de que aquelas terras não eram devolutas e, além disso, porque estava fora do trajeto do projetado Caminho-de-Tropas para Lages.

Viram logo os colonos que toda a região onde estavam instalados não era apenas acidentada, mas ainda muito pedregosa, dificultando qualquer lavoura. A própria sede do arraial de São Pedro de Alcântara, a futura freguesia, apresentava-se apertada entre colinas, com pouca possibilidade de tornar-se um centro maior. E os alemães recém-vindos se perguntavam se não havia em toda a Província de Santa Catarina terras mais próprias para o amaino e o plantio. Havia muito mais e bem melhores. Entretanto, ficara decidido por escalões superiores que o "caminho de sertão" em direção aos campos de Lages devia passar por ali. Era a razão de ser da "Colônia dos Alemães" ali fundada.

Instalados nos lotes coloniais os imigrantes construíram, então, sua primeira obra comunitária. Nascia da contribuição dos colonos a primeira igrejinha no topo da serra de Santa Filomena, junto às nascentes do Rio do Louro, para cuja padroeira escolheram a Santa Bárbara.

Instalada a Colônia dos alemães, era preciso denominá-la. Disso encarregou-se o Presidente da Província Albuquerque Mello. Em mensagem datada de 11 de julho de 1829, comunicou ao Imperial Ministro José Clemente Pereira que dera à "Colônia dos Alemães" a denominação oficial de São Pedro de Alcântara, "em atenção à família imperial reinante". MATTOS, p.45

Diante de parte das promessas não cumpridas, de compromissos desonrados, de terras íngremes e de baixa fertilidade, os colonos de São Pedro de Alcântara, desiludidos com a "terra prometida", em 1836 começaram a migrar. Reiteraram a solicitação de terras nas imediações de Caldas do Cubatão e lá fundam Vargem Grande migram também para o vale do Itajaí Açu, onde lançam os fundamentos das povoações de Belchior e Pocinho - hoje município de Gaspar - e também de Brusque.


 

 
Comentários
    1 comentários     comentarComentar Sobre o Conteúdo
fabricio schuch disse:
Moro a32 anos, desde que nasci em sao pedro de alcantara e tudo que esse povo passou por falta de terra fertil para trabalhar e oportunidade para fazer sua vida em terra desconhecida hoje ainda acontece os colonos que ainda sobrevivem com muito esfor
em: 07-Jan-12 as 14:19
 
 
     
 
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